Poderá ter nome da fadista mas não o é. Adriana Lisboa é uma escritora brasileira que acaba de ganhar o Prémio Saramago 2003. Nesta sua obra utiliza a memória como elemento de construção dos personagens, a sua memória, a sua história.
Já Saramago diz Temos escritora! A ver vamos, mas talvez seja interessante seguir um pouco de perto o percurso deste novo talento.


Em "Sinfonia em branco", Adriana, já narradora pronta, retoma a força da memória como elemento de construção dos personagens. Ou melhor, das personagens, pois é em torno de duas mulheres que a narrativa se constrói. Duas meninas, irmãs, no espaço de fazenda do interior; depois jovens que saem de casa rumo ao Rio de Janeiro para poderem ter segurança, uma, liberdade, outra e que se transformam em mulheres maduras que tomam rumos opostos. Clarice, a que tentou cortar os pulsos, artística e intimidada. Maria Inês, prática, disposta a desafiar o mundo e tomar da vida tudo que ela possa lhe dar. Mas é Maria Inês quem inspira a imagem de um quadro de Whistler: "A garota de branco" ou "Sinfonia em branco nº 1", cerca-se de música e inspira paixões. Já a Clarice, poucos prazeres parecem estar destinados, incapaz de conquistar, por ela mesma, mais do que a própria destruição. Duas mulheres a que ensinaram sobretudo as proibições, a necessidade de se calarem. Irmãs que um segredo une e afasta.
Publicado por sarapereira em dezembro 23, 2003 09:44 AM